Surpresa seria uma vitória no primeiro turno. Fora a eleição do [Fernando Henrique Cardoso] FHC, todas tiveram segundo turno, diz o cientista político Malco Camargos, professor da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUCMG). O brasileiro não gosta de dar vitória no primeiro turno para ninguém. Nem o Lula levou. O único que venceu no primeiro turno foi o FHC. Houve uma campanha pesada contra Dilma, com uma reação de valores conservadores e religiosos, avalia o cientista político Leonardo Barreto, da Universidade de Brasília (UnB).
Para o cientista político Cláudio Couto, professor da Fundação Getulio Vargas de São Paulo (FGV-SP), o escândalo foi o que mais pesou. O fator principal foi o escândalo Erenice. Afinal de contas é muito complicado para ela dizer que a sua principal auxiliar mantinha uma rede nepotista no governo. E uma rede profundamente corrupta.
Além do escândalo Erenice e de questões de fundo moral, para o cientista político, coautor do livro Sistema político brasileiro uma introdução, Antônio Octávio Cintra, a história política da candidata também influenciou. Ela era uma candidata que não existia politicamente. Começou com o apoio do Lula. A Dilma se domou, mas para muita gente ela passa a imagem de falsa, de criada. Para muitos ela desempenha esse papel e isso pesou nesta reta final, diz.
Para o segundo turno, de acordo com os especialistas, Dilma é a grande favorita, já que a velha máxima de que começa uma nova eleição não passa, segundo eles, de uma falácia. Ela parte na frente. Não é verdade que no segundo turno zera tudo. Essa eleição começou faz quatro anos. Ela tem um governo altamente avaliado por trás. O Serra terá dificuldade, afirma Camargos.
O cientista político da UnB Paulo Kramer concorda. Em termos de estratégia, tem que ser destacado que na história das eleições brasileiras desde 1989, o primeiro colocado no primeiro turno sempre venceu o segundo. Aquele velho ditado de que segundo turno é uma nova eleição não vale muito para a disputa presidencial.
Segundo Barreto, mesmo com o favoritismo ao seu lado, Dilma terá que trabalhar bastante no segundo turno. Ela é favorita ainda, mas vai ter de mexer na estratégia: lidar com o caso Erenice, falar muito de Lula, de Deus e religião e tentar assumir uma pauta ambiental.
Fonte: Jornal de Londrina